Garota, o nosso laço virou nó. Hoje eu quero sair só. Andar
sem rumo pelas ruas. Pode ficar com meu último beijo, claro, se ainda quiser.
Resolvi me soltar dos teus abraços. Pode deixar, já sei me virar. Vou preencher
meus vazios ficando de prosa com a solidão. E já que eu vou sem data pra
voltar, por que você não sai pra dançar? Não quer ir? Então fica, porque hoje
quem vai embora sou eu.
Chega das tuas marcas de batom na minha alma. Chega dessas
grades nas janelas dos meus olhos. É hora de entender a liberdade. Não me culpe,
pois nunca neguei essa minha fobia de plurais. Despeço-me de ti, das horas
contadas e das datas marcadas em velhos calendários. Despeço-me de todas as
regaras, ditaduras, estereótipos e manuais de boas maneiras.
Hoje contarei causos e estrelas. Ei de admirar as belas moças
à beira mar. Tomar umas e outras. Vou dançar sozinho, sem ritmo nem compasso.
Quero mesmo sair da trilha bem marcada desse teu caminho. Hoje vou deitar-me
com a liberdade. Vou fazer serenata pra lua, tomar banho de mar. Vou achar
bonito cantar Caetano, mas não vou reclamar por estar sozinho.
Entenda como quiser, mas o fato é que não preciso mais dessa
sua prisão. Não me apetecem mais esse tal nó na garganta nem as desconfianças
dos teus beijos frios. É hora de dar adeus a esse meu desgaste, cansaço,
desilusão. Quero mesmo é abraçar a vida que transborda em abundância pelas
ruas, esquinas e praças. Quero enterrar meus pés na areia. Banhar-me nas ondas
nuas, mornas, noturnas. Afogar-me na luz da lua.
Vou redescobrir meu nome, meu rosto, meu endereço. Apaziguar
minhas dores e minhas desilusões. Hoje espero me encontrar, te perder e nunca
mais achar. Nem adianta apagar a luz,
pois de tanto viver de os olhos vendados aprendi a andar no escuro. Também não
adianta querer me acertar a queima roupa, pois me blindei pra você.
Tchau, já deu minha hora. Vou ficar na rua até a lua virar
sol. Nem procure meus rastros, pois vou correndo, contando os passos pra bem
longe de ti. Nem me olhe com esses olhos castanhos. Nem derrame suas lágrimas,
já me convenci. Vou mergulhar no mar de mim. Vou-me embora, pra esquina, pra
Pasárgada, pro fim do mundo. Não pense mal de mim, mas é que aqui eu não fico nem
mais um segundo.
De herança te deixo aquele último
beijo e não se iluda, pois é de despedida. Porque a partir de hoje eu abraço de bom grado
a solidão.
Super... livre, Mayra, haha. Achei justo ele querer se libertar, e acho que seria bom ela fazer o mesmo:) Enfim, gostei♥
ResponderExcluirAh, e Parabéns pelo teu aniversário, agora aqui no blog, shas ♥
Beijos!
http://menina-do-sol.blogspot.com.br/
P.S. Sobre a tag Compartilhando Talentos, dá pra enviar um texto já postado?
Sim, nada nos pode ser mais belo que a liberdade. *-*
ExcluirObrigada, querida. Tô com um sorriso de orelha a orelha aqui. É muito bom conhecer pessoas assim como você. Obrigada pelo carinho, meu bem.
Você pode enviar qualquer texto, inédito ou não. ^^
Nossa que lindo Mayra, nada como um pouquinho de liberdade.
ResponderExcluirAs vezes também gosto de abraçar a solidão.
beijos
Não é mesmo, Julina? Liberdade é algo maravilhoso.
ExcluirAs vezes é bom apreciar a nossa própria companhia. haha
Beijos, querida.
Eu adoro esse jeito que você escreve, parece que o texto fica com um rítimo sabe ? Adorei o tema também, quase sempre é sobre a garota abandonada, mas ninguém escreve sobre o ponto de vista do garoto sufocado né :)
ResponderExcluiradoro aqui.
bjs
naquelemomentoeujuro.blogspot.com
Muito obrigada, Amanda.
ExcluirEu gosto de mostrar vários ângulos de uma possível situação. Porque bem sabemos que existem vários lados de uma mesma situação.
Xero, moça.
Adorei, acho que sempre precisamos respirar um novo ar quando o outro fica pesado.
ResponderExcluirbeijos
Exatamente isso, Lola. Gostei dessa frase.
ExcluirBeijos, flor.
Acho cruel essa inquietação que vem do fundo da alma e se manifesta pelos braços, pernas, coração. Coração que bate acelerado buscando saída em cada esquina, que corre sem olhar as ruas. Esse nó, angústia. Tive muitos nó, não só na garganta, mais em baixo, no peito sabe? Lindo texto Mayra!
ResponderExcluirSei como se sente, estes nós são terríveis, mas eles se desatam aos poucos, você vai ver.
ResponderExcluirBeijos, Andressa.
Enquanto eu lia, a música que você citou no final ficou na minha cabeça. Digo, o texto em si já me lembrou a música. E sabe o que eu mais gosto nos seus contos? Eles tem uma sutileza no todo, e uma intensidade deliciosa nos detalhes. A citação à Pasárgada, o "me blindei pra você", a marca de batom na alma. Ficou o máximo.
ResponderExcluirEssa música tem o poder de ficar na mente das pessoas, sei lá. Da primeira vez que ouvi já me veio um esboço de como seria o texto. Foi só eu sentar pra escrever que ele ficou pronto. Que bom que você gosta, Mari. Eu gosto de caprichar em alguns detalhes, outros aparecem naturalmente.
ExcluirObrigadão, mesmo. Beijos, Mari.
A solidão serve para nos encontrarmos com o nosso próprio eu. Quem não prova da solidão não gosta de si mesmo, tão pouco se conhece profundamente para se doar um pouco para um alguém.
ResponderExcluirLindo texto, Mayra. Seguindo.
http://luzia-medeiros.blogspot.com.br/
Concordo com você, quem não sabe aproveitar um pouco da sua própria companhia assim como você falou tende a não gostar de si mesmo. E quem não gosta de si mesmo, não consegue gostar de ninguém. Fico feliz que tenhas gostado, seja muito e sempre bem-vinda ao Era outra vez... Amor!
ExcluirBeijos, Luzia.
Oi, que lindo o blog. Eu acho que eu já vim aqui no blog outras vezes, mas essa eu tive que comentar algo. Você está de parabéns.
ResponderExcluirEstou passando aqui para dizer também, que tem post novo e que dia 15 desse mês tem sorteio de aniversário do blog. E se quiser me seguir lá, é só avisar que eu sigo de volta.
Beijos,
Blog: www.junhiimce.com
Obrigada :D
ResponderExcluirNossa, eu amei esse texto.Primeiro porque,eu sempre adoro quando alguma menina escreve na visão dum menino sabe?É sempre um desafio e isso é legal.E segundo,porque o texto fico TÃO cheio de metáforas e mesmo assim,fácil de entender..eu amei,de verdade.Tu escreve tãaaaao bem *_*
ResponderExcluir<3
beeeeijinhos.
http://borboletametamorfoseando.blogspot.com.br
Tem certos textos que eu só consigo imaginar escrever com a narração masculina, nem sempre convenço, mas que bom que você gostou. realmente é um desafio, os meninos são de Marte e as meninas de Vênus rsrsrs brincadeira. Fico muito feliz que tenhas gostado, mesmo mesmo.
ResponderExcluirBeijão, querida.
gostei do texto, tem momentos que precisamos de mudanças,
ResponderExcluirbelo post.
Obrigada ^^
ResponderExcluirExcelente texto! A solidão é bem vinda
ResponderExcluirna hora certa. Seja feliz!
A solidão às vezes é bem-vinda; principalmente quando os laços viram nós.
ExcluirObrigada, Tossan. Abraços.
As vezes nós precisamos da boa e velha solidão, porque as vezes ela faz falta. Adorei o texto.
ResponderExcluirmy-history-restarted-again.blogspot.com
Com certeza, Emy. Às vezes a solidão faz falta.
ExcluirBeijos, querida.
Encontrei o seu blog por aí, e valeu a pena! Temos que estar soltos de alguém necessário e ficarmos um pouco na nossa solidão. Ela nos responde mais precisamente que muitas pessoas. Sempre temos que arriscar, senão, nada vale a pena.
ResponderExcluirBeijos,
http://eppifania.blogspot.com.br
Que bom que valeu a pena haha. Sim, precisamos nos encontrar e nos entender, quando uma coisa sufoca não há nada melhor do que se libertar. Como diz o Humberto Gessinger "Pode correr risco, arriscado sempre é, só não pode o medo te paralisar"
ExcluirBeijos, Arianne.
Que bonito, quando o laço virá nó a gente tem que desprender as amarrar e ir embora, nada que aperta faz bem, nada que segura é de verdade. Já que nasci com a alma livre e meu coração ficou preso, ô ironia da vida. Saudades daqui, mil perdões pela ausência.
ResponderExcluirhttp://denovomaisumavez.blogspot.com.br/
Que bom te ver por aqui, querida. Quando a coisa aperta, melhor mesmo e folgar, aliviar, deixar livre, nesses momentos a solidão é evidentemente bem-vinda.
ExcluirEstá perdoada. Beijos, Gabi!
ameeeeeeeeeeeei seu blog! eu tenho um e gostaria muito que você seguisse ! caso você siga comenta lá no blog, porque gostaria muito de fazer parceria !
ResponderExcluiresse é o link - http://papodabru.blogspot.com.br/ - bjs ;*
Ok, obrigada.
ResponderExcluirUm tempo atrás escrevi algo que se resumia em:
ResponderExcluir'Não importa quão 'bela' é a prisão, se você priva alguém da liberdade, está privando de uma das maiores razões de ser feliz', e não é que é?
Nem preciso dizer que adorei teu texto! rs
Fui lendo e me lembrando de pessoas que conheço que passaram por esse momento, e meu bem, eu digo, nada se compara ao momento do finalmente livre.
Ps. Amo ouvir Lenine!
Pps. O layout ficou lindo ~~
Um beijo Mayra e novamente meus parabéns!
Jhosy
http://meninamsicaeflor.blogspot.com.br/
Eu tenho uma frase bem parecida com a sua. "Não importa quão bonita seja a gaiola, nada pode ser mais belo que a liberdade" Realmente, nada se compara ao finalmente livre!
ResponderExcluirSempre um prazer, vê-la por aqui.
Beijos, querida.
O mais lindo disso tudo é liberdade mesmo, a liberdade de poder saber que logo ela encontra teu rumo também, se perde nos próprios sonhos, na própria cabeça, na imaginação cotidiana... Ele segue o rumo para direita, ela para esquerda com um esforço... Mas no fim todos se libertam.
ResponderExcluirSeus textos, seus pensamentos me arrepiando sempre, o blog ficou lindo!
Lectícia Péttine
P.S: Fique a vontade para publicar onde quiser qualquer um dos meus textos, eu fico lisonjeada de saber dessa tua vontade *--*.
É como a letra de uma música antiga "cada um vai pro seu lado e agora tá tudo bem" Que bom que gostou do texto e do lay novo. Vou publicar sim, pode deixar, muito obrigada por permitir.
ResponderExcluirBeijão, querida.
Eu não acredito muito em último beijo. Se o desejo de dar o último existe é porque não é o último.
ResponderExcluirTalvez seja a prova definitiva, ou um tira teima, quem sabe?!
ExcluirBeijos, Claudio,